PORRÃN
Pesadelo diário.

Cresço, sem querer;
vida involuntária
em um pesadelo me perco
estou cego (…)

Vejo tudo negro
tudo escuro
é assustador.
êxtase da loucura

Ponho-me a caminhar
caio, desfaleço
arrasto-me, agonizo;
apenas sofro
apenas ouço.

A voz me chama
arrepio-me;
agora vejo sangue
banho-me 

A dor é insuportável
afogo-me (…)
abro os olhos
outro dia.
apenas outro. 

Saudades da vida.

Já foi-se o tempo em que eu vivia. Agora apenas sobrevivo.

Por onde anda a ansiedade de viver? A alegria de esperar um novo dia, com novas aventuras?

como disse certa vez a saudosa Leila lopes: “Nada mais me lembro.”

Viver, morrer. Talvez um pouco dos dois.